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Guerra Comercial entre Estados Unidos e China e os Efeitos ao Comércio Brasileiro

Guerra Comercial entre Estados Unidos e China e os Efeitos ao Comércio Brasileiro

O Presidente norte-americano, Donald Trump, adota constantemente o discurso de colocar os interesses dos Estados Unidos a frente, “America First” e com isso justifica medidas protecionistas. Acredita que a China prejudica o seu país, assim adotou uma postura de proteção para obter de volta os empregos dos americanos e atualmente os dois países travam o que é considerado como a maior guerra comercial da história econômica.

Os EUA acusa a China de práticas desleais como ter se apropriado de patentes de tecnologia de ponta para operarem em mercado chinês. No começo de julho entraram em vigor sobretaxas punitivas dos Estados Unidos sobre um total de US$ 34 bilhões de dólares de importações chinesas. São tarifas de 25% sobre 818 produtos chineses e o presidente Trump informou que terá uma segunda leva de tarifas, em um valor de US$ 16 bilhões, que após aprovação do órgão representante de comércio dos EUA entrará em vigor.

Os chineses em resposta, a manifestaram com uma ação contra os Estado Unidos na Organização Mundial do Comércio devido às taxas de importação e declarando quebra de regras da OMC pelos EUA. Ademais, a China também impôs um sobretaxa semelhante sobre 545 produtos americanos, totalizando também US$ 34 bilhões e em breve haverá outro lote de tarifas chinesas sobre US$ 16 bilhões em produtos dos EUA. A guerra comercial prejudicaria a todos os envolvidos e o comércio livre, inclusive defendido pelo partido do presidente americano, tal medida instaura desconfiança das empresas e prejudica investimentos. Essa inimizade entre as duas potências gera consequências a seus parceiros, como o Brasil.

Ambos os países em questão são parceiros comerciais importantes do Brasil. O Brasil exporta commodities para a China e importa manufaturados chineses, entre os produtos importados pelos chineses há o soja, minério de ferro, carne bovina, frango, celulose e açúcar, sendo a soja o principal produto brasileiro comercializado para a China, equivale a 43% das exportações do último ano, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Em 2017 o MDIC apresentou dados de que foram US$ 20 bilhões de dólares das exportações de soja brasileira para o mercado chinês.

A relação com os EUA é por meio da exportação de semimanufaturados de aço e alumínio do Brasil, assim como, aviões e petróleo bruto. Segundo dados do MDIC, as exportações brasileiras representaram US$ 26 bilhões em 2017. O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, as vendas ao país equivalem a um terço das exportações brasileiras desta mercadoria e estão ameaçadas de nova tarifa de 25%.

Essa disputa entre EUA e China já acontece há alguns meses, os EUA almeja diminuir em US$ 100 bilhões o déficit de sua balança comercial com a China. Em março os norte-americanos anunciaram taxas sobre o aço e alumínio, medida que afetou exportadores brasileiros. As medidas americanas impactam não só os chineses, mas os aliados também, parceiros de comércio e investimento, como o Brasil, Argentina, México e a União Europeia.

Para Marcos de Paiva Vieira, professor de economia da Universidade de Tecnologia de Cantão, há a possibilidade do Brasil obter vantagens com as medidas entre as duas potências. Houve o aumento da exportação de soja brasileira para suprir a fornecida pelos EUA.

Entretanto, de acordo com William Jackson, economista especializado em mercados emergentes da consultoria Capital Economics, há também a possibilidade do real deteriorar e a inflação aumentar, os EUA imporem taxas em produtos específicos, como aviões, e a atuação econômica da China ser tão prejudicada a ponto dos preços das commodities brasileiras exportadas sofrerem redução.

Marcos de Paiva Vieira acredita ser uma chance de atrair tecnologia da China, como soluções financeiras (fintech). São vários cenários possíveis em um curto, médio e longo prazo para o Brasil, exportador de produtos agrícolas e minérios e em estado de vulnerabilidade. É necessário atenção a todos essas questões ainda não muito definidas e cautela nas decisões.

Autora: Luísa Vasconcelos – Diretora de Gestão de Pessoas

Imagem: William W. Potter


Referências:

BBC News Brasil. Como a guerra comercial entre EUA e China pode afetar o Brasil. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44745494>. Acessado em: 28 de julho de 2018.

Folha de S. Paulo. China e Estados Unidos travam ‘maior guerra comercial da história’; entenda. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/07/china-e-eua-travam-maior-guerra-comercial-da-historia.shtml>. Acessado: 28 de julho de 2018.

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