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Os Novos Desdobramentos na Relação Comercial entre Brasil e a Ásia

Os Novos Desdobramentos na Relação Comercial entre Brasil e a Ásia

A partir de um contexto histórico, inicialmente às relações comerciais entre Brasil e Ásia não eram consideradas relevantes ou prioridade para a política externa e econômica do Brasil. Em contrapartida, a China já demonstrava interesse em estabelecer relações comerciais com o mesmo, sendo que tal situação somente foi alterada quando a China no contexto dos BRICS firmou entre os dois países na década de 1990 a “parceria estratégica”, devido aos esforços do embaixador brasileiro em Beijing, Roberto Abdenur. As prioridades econômicas brasileiras sempre foram os países vizinhos, como os Estados Unidos e os demais países europeus.

Entretanto, nos últimos anos o Brasil ampliou suas relações diplomáticas com a Ásia, por meio da criação e estabelecimento de embaixadas em diversas capitais da região, realização de visitas oficiais e aumento gradativo de trocas comerciais principalmente com Japão e China.

Assim, o Brasil passou a considerar a China como um país para novas oportunidades de investimentos e negociações; e o mesmo passou a ser visto com bons olhos pelos investidores chineses que desejam atuar no Brasil. Também nesse período, o país estreitou laços com o Japão, que retomava seus investimentos no Brasil, gerando maior intercâmbio comercial, investimentos e cooperação tecnológica entre ambos. O Japão associou-se a empresas estatais brasileiras, em busca da convergência de interesses e da estabilidade política e econômica em seus investimentos.

O relacionamento brasileiro com a China foi desenvolvido nos últimos anos principalmente na área de comércio e na agenda de cooperação Sul-Sul. O continente asiático tornou-se o principal destino das exportações brasileiras, devido às extensivas demandas chinesas. Desde 2009, a China ocupa a posição de maior mercado de exportações e principal sócio comercial brasileiro. Consequentemente, o comércio e os investimentos brasileiros expandiram-se para as demais regiões asiáticas, de modo particular para a Indonésia, Índia e Coréia do Sul.

De acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), em 2017, as exportações brasileiras para a China totalizaram US$ 47,488 bilhões, enquanto as importações de produtos chineses somaram US$  27,321 bilhões. Com isso, ano passado, o intercâmbio com os chineses gerou para o Brasil um superávit de US$ 20,167 bilhões. A China como principal parceiro comercial do Brasil, importa principalmente: soja (43%), minério de ferro e concentrados (22%) e óleos brutos de petróleo (15%). Também foi a principal importadora de doze estados brasileiros, além do Distrito Federal, sendo eles: Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Tocantins. (COMEX, 2018).

Consequentemente, devido a toda essa interação, uma nova oportunidade surgiu para ampliar às relações comerciais dos estados brasileiros (importação e exportação) com a Ásia, ou seja, uma nova rota marítima denominada de SSA (Sino South América) é exclusiva do armador PIL (Pacific International Lines). Tal rota foi instaurada e irá ser administrada pela TCP – empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, tendo frequência quinzenal e será ofertado como um serviço expresso no Brasil. Este serviço SSA tem por previsão de inauguração no dia 1.º de março com a chegada do navio “Kota Gunawan” ao Porto de Paranaguá. Inicialmente, as preferências dos produtos para serem embarcados são: cargas congeladas (reefer), couro, minério, papel e madeira. O navio seguirá viagem para os Navegantes e terá por rota os portos de Shangai, Ningbo, Shekou, Singapura e Rio de Janeiro.

Por fim, a relação comercial com a Ásia vem gerando superávits para a balança comercial brasileira e oferecendo novas oportunidades para facilitar e intensificar a relação Brasil-Ásia, visto que essa nova rota tem por finalidade tornar as tarifas mais atrativas e favorecer as negociações (políticas, econômico-comerciais) com a Ásia.

Autora: Paloma Regina – Diretora de Gestão de Pessoas

Imagem: Amadeustx


Referências:

DIB, Ana Cristina. China, principal país de destino das exportações de 12 estados e do Distrito Federal em 2017. Brasil, 2018. COMEX do Brasil. Postado em 30/01/2018. Disponível em <https://www.comexdobrasil.com/china-principal-pais-de-destino-das-exportacoes-de-12-estados-e-do-distrito-federal-em-2017/>. Acesso em 23 de fevereiro de 2018.

DIB, Ana Cristina. Nova rota marítima deverá tornar tarifas mais atrativas e movimentar negociações com a Ásia. Brasil, 2018. COMEX do Brasil. Postado em 15/02/2018. Disponível em <https://www.comexdobrasil.com/nova-rota-maritima-devera-tornar-tarifas-mais-atrativas-e-movimentar-negociacoes-com-asia/. Acesso em 23 de fevereiro de 2018.

SIMÕES,Letícia Cordeiro; AMORIN, Wellington Dantas. Comércio entre Brasil e Leste asiático: mais do mesmo?. Brasil, 2018. ICTSD-International Center for Trade and Sustainable Development. Postado em 25 de setembro de 2014. Disponível em <https://www.ictsd.org/bridges-news/pontes/news/com%C3%A9rcio-entre-brasil-e-leste-asi%C3%A1tico-mais-do-mesmo>. Acesso em 24 de fevereiro de 2018.

 

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