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Moda Afrobrasileira: Um Mercado Cada Vez Mais Empoderado

Moda Afrobrasileira: Um Mercado Cada Vez Mais Empoderado

É muito importante quando se está investindo em um setor, em um produto ou serviço, ter em mente o público alvo que o empreendedor deseja alcançar, assim as ações tornam-se mais direcionadas, mais efetivas e as estratégias de negócio aperfeiçoadas.

De acordo com o Sebrae Inteligência Setorial, empresas descobrem o potencial do mercado para o público negro. Temos que 54% da população brasileira é negra, sendo que 30% é formada por mulheres negras, no total são 104 milhões de negros no país, sendo metade dos empresários afrodescendentes. Isso significa um acréscimo de 6% no período de 2003 a 2013 (em 10 anos). Os consumidores negros movimentam por volta de 800 bilhões de reais por ano e a maioria corresponde à classe média. Outro dado importante é que 60% dos negros afirmam que as propagandas não costumam abordar ou retratar a etnia como deveria. Dessa forma, é cada vez mais interessante investir no mercado afrodescendente e focar em produtos e serviços para esse público.

Momentos como a Década Internacional de Afrodescendentes, de 2015 a 2024, pela resolução 68/237 da Assembleia Geral das Nações Unidas como medida para incentivar o reconhecimento, a justiça, o desenvolvimento e apoiar o Ano Internacional de Povos Afrodescendentes. Além disso, devido ao movimento de empoderamento negro cada vez mais forte. Como por exemplo, as mulheres aceitarem e assumirem seus cachos naturais e abandonarem o estereótipo do liso. Então, toda a autoafirmação da população negra perante sua cultura dá força para esse mercado e que o tema assim seja mais debatido.

O setor da moda então consegue explorar bem as características do mercado afro por ser um setor que trabalha diretamente com a identidade das pessoas. Entretanto, essa proposta da moda afro não é oferecer algo exclusivamente para que esse público utilize e sim oferecer algo pensado para eles, incluindo seus gostos, características, costume e cultura e para qualquer etnia também poder usufruir. O movimento visa impactar outras atividades do ambiente da moda, como publicidade e desfiles com a inclusão de profissionais negros. Impactar a área de cosméticos e beleza também com o incentivo a produtos para pele e cabelo afro.

De acordo com a consultoria Etnus, Afroconsumo, em uma pesquisa em São Paulo em 2015, os consumidores afrodescendentes indicam que roupa foi o segundo item mais consumido no ano da pesquisa, sendo que a maioria comprou em shoppings, as roupas compradas são de marcas independentes e de empresários afrodescendentes, entre as dificuldades citadas pelas mulheres referem-se ao vestuário e peças íntimas que não consideram o formato do corpo e a cor de pele. Também percebeu-se que a presença de pessoas afrodescendentes na divulgação contribui na tomada de decisão na hora da compra.

São explorados na moda afro produtos com materiais naturais e tecidos artesanais, com elementos regionais, como rendas e bordados. Utilização de cores fortes e vivas remetendo um clima tropical, cores quentes que retratem à tradição afro. Acessórios com elementos tribais, a questão do corte das roupas, estampas características, modelagens específicas, representação de tribos, personagens e personalidades negras históricas e contemporâneas.

Existem feiras de afroempreendedores no país como a Feira Ubuntu, Baobá Festival, Odarah Bazar, Feira Crespa entre outras para conhecer outros negócios, possíveis dificuldades e as oportunidades que podem ser investidas. Materiais como a Revista Brasil Afroempreendedor, o projeto Sebrae Moda Afro e Associação Nacional da Moda Afro-Brasileira em que você pode pesquisar e fazer os estudos necessários para o seu empreendimento. Entre em contato com a CONEX caso queira importar ou exportar o seu produto.

Foto: Chris Barbalis

Autora: Luísa Vasconcelos – Analista de Comunicação 


Referências:

Afroconsumo, Etnus (2016) Disponível em: <http://etnus.com.br/resources/ETNUS_Afroconsumo_SP_102016_v7_LOW.pdf>; 

Empresas descobrem o potencial do mercado voltado para público negro, JC Online (2017).

Mercado da beleza acompanha empoderamento da mulher negra no Brasil, Geledés (2016);

SANTOS, L., Empreendedores negros focam em potencial do mercado afro no Brasil, G1 (2015);

Sebrae Inteligência Setorial. Setor Moda. Disponível em: <https://sebraeinteligenciasetorial.com.br/produtos/boletins-de-tendencia/moda-afrobrasileira/59c2501137f5df18002c513>; 

 

 

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